O ofício de escritor e o estado do mundo são grandes temas da entrevista que Gonçalo M. Tavares concedeu à jornalista Tereixa Constenla do diário espanhol El País. Publicada na revista dominical do jornal de 30 de Agosto (“‘Una democracia con pobreza no es una democracia’”), cuja edição em papel não é vendida em Portugal, o entrevistado tem ainda oportunidade de aludir à sua ausência das redes sociais.
“Não tenho nenhuma rede social”, diz Gonçalo M. Tavares, acrescentando: “Sou um australopiteco”. O escritor diz saber que, assim, perde muitos leitores, mas aceita isso. A criação, julga, “é um acto de concentração, as redes desviam as pessoas”.
O escritor manifesta-se irritado com a conversão da literatura numa distracção. “Um bom livro não permite que o leitor fique num estado passivo como o espectador diante de uma série da Netflix”. Todavia, “uma grande parte da população já assumiu que a arte é para entreter”. Para Gonçalo M. Tavares, às vezes, “a culpa não é das pessoas, que estão num sistema que as obriga a trabalhar 10 ou 12 horas por dia”. O que é deplorável é que se comece a fazer “uma literatura para cansados, que é o apogeu da sociedade do espectáculo”.
A edição digital da entrevista apresenta outro título: “Gonçalo M. Tavares, escritor: ‘Si en un país como EE UU hay 40 millones de pobres, ese país no es rico, lo siento’.
