Um jornal pode, por vezes, assumir missões algo inesperadas. É o caso do diário italiano Avvenire, o quarto jornal mais difundido no país, que está a defender a concessão, em 2027, do Prémio Nobel da Paz às crianças de Gaza vítimas de guerra.
O jornal católico recorda o sofrimento destas meninas e meninos, lembrando que, desde Outubro de 2025, num período que deveria ter sido de suspensão dos ataques israelitas, tem morrido uma criança por dia. E continuam a morrer. E as que sobrevivem, escapando à desnutrição, às doenças, à água suja, aos tratamentos inexistentes, permanecem à espera do fim da violência que lhes foi prometida, assinala o Avvenire. Foi, precisamente, em nome dessa promessa que o jornal relançou a proposta de Eugenio Mazzarella, professor de Filosofia na Universidade Federico II de Nápoles, de candidatar as crianças de Gaza ao Prémio Nobel da Paz.
A proposta tem encontrado o apoio, formal ou informal, de dezenas de milhares de pessoas. O cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, afirmou recentemente a utilidade de qualquer iniciativa que ajude a chamar a atenção para o que se passa em Gaza – não sendo, mesmo assim, garantido que Israel se modere e se torne menos letal para as crianças.
“Reconhecer as crianças de Gaza com o Prémio Nobel da Paz significa ainda valorizar a palavra paz”, escreveu o padre Ibrahim Faltas, vigário da Custódia da Terra Santa, manifestando o seu apoio à iniciativa.
O Avvenire salienta que, todos os dias, documenta o que acontece no Médio Oriente e que fala, constantemente, sobre “os direitos negados a menores onde quer que estejam no mundo: não há apenas as crianças de Gaza entre as vítimas inocentes das guerras: há as crianças israelitas mortas na sangrenta operação do Hamas no dia 7 de Outubro de 2023 e as que morreram depois nas prisões dos terroristas. Há as crianças ucranianas e russas, há as crianças iranianas e sudanesas”. Se o Nobel promovido pelo jornal fosse concedido, reconhecer-se-ia a infância que sofre com as guerras, em todos os tempos e continentes. “Porque o que é verdade em Gaza – o sofrimento inocente, a violação do direito de cada criança a ser amada e protegida e de não se tornar um alvo indefeso do ódio e da violência por parte dos adultos – vale em todo o mundo e em qualquer época histórica”.
“As crianças de Gaza”, escreveu o padre Ibrahim Faltas, director das escolas da Custódia da Terra Santa, numa mensagem enviada ao Avvenire, “merecem o Prémio Nobel da Paz porque são elas próprias o significado da palavra paz, porque sofreram as consequências no corpo e na mente das acções dos adultos inconscientes e irresponsáveis, porque sentiram e viram o horror da violência, porque sofreram pela morte daqueles que lhes deram a vida, porque perderam o sorriso do tempo que é o de brincar, pela falta de instrução e de frequência de dois anos de escola, porque perderam os belos anos da infância. Reconhecer o sacrifício das crianças de Gaza é um acto de verdade e justiça”. Este reconhecimento é, para o sacerdote, “o sinal indelével de quem acredita firmemente na paz”.
O Avvenire refere que, desde que a proposta foi apresentada no dia 8 de Agosto, já recebeu milhares e milhares de assinaturas de pessoas comuns, mas também de políticos conhecidos, de autarcas, de religiosos.
Quem quiser apoiar a iniciativa pode fazê-lo enviando um e-mail para petizione.gaza@avvenire.it .

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